Cientistas descobrem a causa da chamada “Praga de Justiniano”

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janeiro 29, 2014 por João Vicente

Caros leitores,

Posto abaixo uma notícia tirada do site da Terra. Aparentemente, cientistas descobriram a cepa da peste bubônica (Yersinia Pestis) responsável pela epidemia que ceifou a vida de uma grande parcela da população de Constantinopla entre 541 e 542, mas se espalhou por todo o Império Bizantino e provavelmente por todo o mundo. Porém, por ter seu impacto mais detalhadamente registrado em Constantinopla – a maior cidade do mundo na época –  durante o reinado de Justiniano I (527-565), ela passou a ser conhecida como “Praga de Justiniano”.

Cientistas descobrem causa para uma das maiores pragas da humanidade

Fonte: Terra.com.br

Cientista analisa dente de vítima da praga Foto: Divulgação
Cientista analisa dente de vítima da praga
Foto: Divulgação

​Um estudo divulgado nesta segunda-feira na revista especializada The Lancet Infectious Diseases indica que a Praga de Justiniano, que matou milhões de pessoas no século VI, foi causado pela peste bubônica, mas por uma cepa diferente da bactéria que causou a Peste Negra cerca de 800 anos depois.

“A pesquisa é fascinante e assustadora, porque leva a novas questões que precisam ser exploradas, como, por exemplo: por que essa pandemia, que matou entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas, desapareceu?”, diz Hendrik Poinar, professor da Universidade McMaster, no Canadá.

Cientistas das universidades do Norte do Arizona, de Sydney e da McMaster isolaram fragmentos de DNA de um dente de 1,5 mil anos de uma vítima da doença na Bavária, Alemanha. Eles conseguiram extrair o mais antigo código genético de Yersinia pestis, a bactéria que causa a peste bubônica, e o comparou ao genoma de mais de 100 cepas.

O resultado indica que a Y. pestis Justiniana é de uma cepa diferente da Peste Negra e das bactérias que ainda hoje causam mortes pelo mundo. Uma terceira pandemia da doença ocorreu no século XIX e é possivelmente descendente da praga medieval.

“Sabemos que a bactéria Y. pestis tem pulado de roedores para humanos através da história e reservas da praga em roedores ainda existem hoje em dia em muitas partes do mundo. Se a Praga de Justiniano pôde surgir na população humana, causando uma pandemia de massa, e então desaparecer, isso sugere que pode ocorrer novamente. Felizmente, nós agora temos antibióticos que podem ser usados efetivamente, com menores chances de outra grande pandemia humana”, diz Dave Wagner, da Universidade do Norte do Arizona.

A pesquisa indica também que a cepa estudada teve origem na Ásia, e não na África, como outros estudos sugerem. Os cientistas acreditam que outros episódios podem ser também epidemias separadas, surgimentos independentes de cepas da bactéria.

“Nosso estudo levanta interessantes questões sobre por que um patógeno que teve tanto sucesso e era tão mortífero desapareceu. Uma possibilidade testável é a de que as populações humanas evoluíram para ficarem menos suscetíveis”, diz Holmes. “Outra possibilidade é a de que mudanças no clima ficaram menos convenientes para a bactéria da peste sobreviver no meio selvagem.”

Por João Vicente

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2 pensamentos sobre “Cientistas descobrem a causa da chamada “Praga de Justiniano”

  1. Alan Prado Arcanjo disse:

    Muito interessante e ao mesmo tempo intrigante, uma praga tão poderosa desaparecer assim é um verdadeiro mistério que mexe com o nosso imaginário! Mas dou graças à Deus por essa praga ter sumido do mundo, pelo a grande maioria. Imagina se um poder massacrante desses caísse em mãos erradas? Seria uma das maiores calamidades do mundo, um verdadeiro poderio biológico bélico arrasando não milhões, mas bilhões. Muito perigoso, e ainda tem países que produzem algo semelhante em segredo dentro de suas bases ocultas…

    • João Vicente disse:

      Olá Alan. Obrigado pelo comentário. Esse comportamento era bastante comum antes de inventarmos vacinas ou comprender como doenças funcionavam. Um novo virus (ou nova mutação de um virus existente) era introduzido numa população e matava as pessoas que não tinham anti-corpos contra eles. Assim, a população não-imune era dizimada e os imunes sobreviviam. Por isso, doenças como a peste bubônica vinham e voltavam ao longo da História. Ela chegava e matava os não-imunes, deixando os imunes vivos. Esses tinham filhos e filhas, criando uma próxima geração composta de algumas pessoas que não eram imunes e, por isso, vulneráveis a doença. Contudo, devido a genética, cada vez menos não-imunes nasciam, fazendo cada nova epidemia menos mortal. Por isso, morria-se muito mais de gripe e peste bubônica antigamente e hoje em dia. Atualmente, quase ninguém morre dessas doenças. Quanto ao uso dessas pestes como armas biológicas, você está certo. Ainda que seja proibido pelas leis internacionais, países podem usar doenças, as vezes modificadas para que menos pessoas sejam imunes a elas, como armas de guerra.

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