Capítulo de livro “O riso melancólico de Psello na Chronographia”

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junho 2, 2013 por João Vicente

Caros Leitores,

A publicação acadêmica de hoje é um capítulo de minha autoria escrito para o projeto desenvolvido pela Sociedade Argentina de Estudos Medievais (SAEMED) e conduzido pelos professores Gerardo Rodriguez e Vanina Neyra, que resultou no e-book de três volumes “Qué implica ser medievalista“.

Esse projeto resultou em uma série de interessantes trabalhos sobre diversos temas dentro da grande área “Idade Média”. O meu trabalho naturalmente trata do tema Bizâncio, particularmente de um autor cujo trabalho e personalidade tem me interessado cada vez mais ao longo dos últimos tempos: Miguel Psello.

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Miguel Psello foi um cortesão e filósofo bizantino que nasceu no ano 1017 e morreu entre 1078 e 1081. Tanto sua obra quanto sua vida são notáveis. Como filósofo e retórico ele se ocupou de diversos assuntos, mas o que é marcante em sua obra é que, ao voltar-se para os antigos gregos, esse autor deu um primeiro passo para a interpretação científica do mundo, isto é, a compreensão de que o mundo natural, ainda que criado por Deus, é regido por regras compreensíveis ao intelecto humano. Esta abordagem é bastante semelhante a dos escolásticos da Europa Ocidental. No entanto, o trabalho de Psello não tinha o apoio institucional de uma instituição como a Igreja e a base fixa das universidades que os Escolásticos tinham, seu trabalho era dependente de questões conjunturais, como o apoio e patrocínio de certos imperadores, a exemplo de Constantino IX Monomaco (1042-1054). Por essa razão, Psello se encontrava numa posição insegura, por mais de uma vez ele foi acusado de “helenismo”, que no vocabulário bizantino significava “paganismo” e uma das vezes a situação ficou te tal forma séria que Psello se sentiu forçado a adotar a vida monástica, para a qual ele não tinha a menor vocação.

Apesar de suas ideias heterodoxas, Psello conseguiu se manter numa posição destacada, não só como intelectual, mas também como político e cortesão durante seguidos reinados que se seguiram no conturbado século XI bizantino. Para isso, Psello lançou mão de diversas estratégias retóricas e de um senso de humor mordaz para continuar divulgando suas idéias, instigando, desse modo, o leitor a buscar nas entrelinhas a real mensagem que ele queria passar.

Foi isso que fiz nesse artigo. Ao ler a Chronographia, sua principal obra, na qual ele descreve os acontecimentos e os reinados de diversos imperadores desde Basílio II (976-1025) até Miguel VII Ducas (1071-1078), procurei buscar a opinião real de Psello sobre a realidade política bizantina e sobre os imperadores. Por traz de elogios estereotipados e descrições de perfis imperiais padronizados, percebi conclusões pessimístas e duras críticas a diversos imperadores, muitos dos quais beneficiaram enormemente o autor. Tudo isso mascarado por tais modelos retóricos bizantinos, que no fundo são ridicularizados pelo próprio autor, pois ele se utiliza deles para uma função completamente oposta àquela que eles normalmente eram utilizados.

Para ler o artigo clique aqui.

Recomendo também a leitura dos outros trabalhos do e-book, que podem ser baixados através desse link.

Por João Vicente

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Um pensamento sobre “Capítulo de livro “O riso melancólico de Psello na Chronographia”

  1. […] da Idade Média. (Já falamos sobre ele. Você pode ler uma curta biografia de Psellos nesse link). Ele foi historiador, cortesão, filósofo, historiógrafo, astrônomo, monge, epistológrafo e […]

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