Nova descrição

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abril 5, 2012 por João Vicente

Caros amigos e leitores,

Depois de alguns meses com uma curta descrição que deveria ser temporária mas que manteve-se por vários meses, escrevi uma descrição permanente na qual faço uma concepção mais clara do que é Bizâncio e qual o objetivos desse blog.

Para ler clique aqui ou em “Sobre Bizantinística” no menu acima.

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4 pensamentos sobre “Nova descrição

  1. Pedro Henrique disse:

    Essa iniciativa, de criar um blog sobre o mundo bizantino é coisa tão inusitada num ambiente de pouca cultura histórica como o nosso que chega às raias da excentricidade. rs. Sou um estudante de história e também me fascina as muitas questão propostas pela história de Bizâncio, como: que tipo de relação um império cristão poderia estabelecer em primeira mão com os clássicos da literatura e do pensamento pagão dos gregos, relação que no Ocidente foi indireta e tênue nesse mesmo período? Me parece que há muitas coisas a se esclarecer ainda sobre a cultura irradiada de Constantinopla. Me intriga, por exemplo, que não conheçamos que tipo de aparência deveria ter os grandes edifícios civis bizantinos… Parabéns pela iniciativa.

    • Caro Pedro Henrique,

      Em primeiro lugar, obrigado pelo feedback. São eles que me ajudam a levar esse blog para frente e melhorá-lo.

      Caso se interesse em ter uma idéia da aparência das construções em Constantinopla, recomendo o projeto Byzantium1200. Um site que faz reconstituições gráficas da cidade de Constantinopla e alguns de seus prédios que existiam no exato ano de 1200.

      Eis o link http://www.byzantium1200.com/

      • Obrigado, é muito útil e interessante esse site. Mas me parece que existe uma lacuna quanto ao conhecimento da aparência dos edifícios seculares em Constantinopla, que aqui são em geral identificados mais em relação à sua topografia é de acordo com o que, presumo, sejam especulações em torno de sua estrutura arquitetônica básica. Sempre me deixa perplexo essa forma fragmentária com que podemos captar o passado, e Bizâncio, embora me desperte atenção especial, não é obviamente um caso exclusivo na história, nesse sentido. Basta recordar que, não fossem as reprodução japonesas coetâneas, não saberíamos, ou só conheceríamos muito imperfeitamente, como eram os edifícios chineses na chamada época de ouro da sua civilização, a dinastia Tang. Um exemplo entre vários, tampouco sabemos muito sobre a arte e a arquietura dos sassânidas, por exemplo. O que me intriga e me interessa em Bizâncio é sobretudo o fato de que ali a cultura clássica, em suas fontes gregas diretas e não através do filtro latino, tenha sempre se mantido acessível para uma aristocracia secular, cuja incultura seria motivo de desprestígio. Existe uma história muito estranha segundo a qual a perda quase total da obra de Safo para a posteridade se deveria a um auto-de-fé público promovido pelo patriarca de Constantinopla que, não sei mais se no século XI ou no XII acabou por concluir que a obra a da poetisa grega seria incompatível com as exigências da moralidade cristã. Quer dizer, enquanto no Ocidente o conheimento do grego era raríssimo, um monarca poderia ser perfeitamente analfabeto e o conhecimento da latinidade estava confinado aos monastérios, e subordinado portanto às suas necessidades, em Bizâncio Homero, Safo, Hesíodo, Platão, os trágicos e sabe Deus quantos outros escritores e pensadores helênicos cujo legado não chegou até nós, eram conhecidos, porque estavam escritos na língua que, se não era exatamente a que se falava no Império, era a sua língua de liturgia e cultura. Eu discutia sempre com um meu professor que defendia que os chamados bárbaros tiveram um papel muito episódico e restrito na queda do Império Romano Ocidental, uma visão que se ajusta àquela que faz de profundas causas estruturais as únicas válidas para elucidar um evento. Ora, mas pra mim a “prova” de que o Império Ocidental poderia ter sobrevivido é justamente o fato de que Bizâncio, promovendo os ajustes necessários, resistiu durante um milênio à morte de Rômulo Augusto.

      • João Vicente disse:

        Pois é, essa relação conturbada que os bizantinos tinham com os clássicos é interessante. Eu estava lendo um livro esses dias que trata desse assunto (“Hellenism in Byzantium” de Anthony Kaldellis) e ele fala da longa história dessa relação, como a moral vigente (a cristã) forçava os pensadores bizantinos a renegarem a mensagem dos clássicos por seu paganismo. No entanto, eles, por prazer intelectual, continuavam os lendo, dando umas desculpas “esfarrapadas”, como ter que aprender sobre os erros dos pagãos para refutá-los (como Bizâncio estivesse lotada de filósofos pagãos) ou para aprender a forma. Enfim, isso só vai começar a mudar no século XI com Psello e mais fortemente a partir do século XII, quando começam a aparecer pensadores que abraçam abertamente o pensamento grego da Antiguidade e passam a produzir obras inspiradas por obras da antiguidade. O historiador russo Alexnader Kazhdan chama esse movimento de “pré-renascimento” bizantino.

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